Biocidas, agentes químicos que fazem a prevenção contra microorganismos perigosos, têm uma função importante na vida do dia a dia. Eles protegem contra doenças, preservam e protegem abastecimentos de comida e água e estão presentes em tudo, de tintas e tecidos até medicamentos. Para o mercado de cuidados pessoais, os biocidas, normalmente mencionados como conservantes, são adicionados a cosméticos e outros produtos do dia a dia, para prevenir deterioração resultando do crescimento microbiano.

Os preservantes ou conservantes estão presentes na maioria dos cosméticos e artigos de higiene, incluindo produtos de cuidados para os cabelos, sabonetes, loções e produtos para bebê, oferecendo proteção durante diversos estágios de uma existência do produto. Durante o processo de fabricação, eles ajudam a prevenir problemas microbianos encontrados na fábrica de produção. Eles também protegem contra o crescimento de bactérias, leveduras e bolor durante o uso do consumidor e o armazenamento, que podem variar de semanas, meses e até mesmo anos. As bactérias introduzidas pelo consumidor e ambientes quentes típicos para o armazenamento criam condições ideais para o crescimento do microorganismo. Os conservantes reduzem o potencial de contaminação, que pode levar ao estrago do produto e a possibilidade de irritação ou infecção no usuário.

Enquanto os consumidores presumem que seus produtos de cuidados pessoais são seguros para utilização e efetivos durante longos períodos de tempo. Esses itens contêm água, proteínas e outros ingredientes naturais que estimulam o crescimento de microorganismos. Sem conservantes, os produtos iriam perecer rapidamente, a menos que fossem refrigerados ou vendidos em embalagem de uso único, alternativas que não são práticas, sustentáveis ou econômicas por diversos motivos. Por exemplo, embalagens de uso único ajudariam os usuários a evitar contaminação, mas também aumentariam dramaticamente o custo e os gastos associados com a produção, embalagem e descarte.

Interesse na Preservação "Natural"

As principais empresas que estão comprometidas utilizando informações baseadas na ciência para avaliar a segurança e a eficácia de seus produtos continuam a confiar nos conservantes para controlar microorganismos. Enquanto os especialistas concordam que uma substituição efetiva para conservantes ainda não entrou no mercado, o número de indivíduos interessados em viver um estilo de vida "mais verde" continua a crescer, colocando pressão em ambos os formuladores e comerciantes de produtos acabados para atender a demanda por produtos "naturais" ou "sem conservantes".

De acordo com David Steinberg, um especialista em conservantes e consultor de indústrias, há uma série de motivos pelos quais os conservantes "naturais" não são uma solução viável ou segura para controle microbiano, como:¹

  • A maioria dos ingredientes ativos na natureza tem um espectro estreito de atividade contra microorganismos. Eles não protegem contra as espécies infecciosas que colocam os maiores riscos para cosméticos e outros produtos de cuidados pessoais.
  • Ingredientes naturais não são efetivos em baixas concentrações. A curta lista de ingredientes naturais mostrada como tendo algum efeito requer um nível extremamente alto de concentração para trabalhar, enquanto conservantes feitos pelo homem são utilizados em quantidades bem pequenas e geralmente respondem por menos de um por cento da formulação do produto cosmético.
  • Produtos que ocorrem na natureza normalmente apresentam cores e odores, tornando-os inadequados para o uso cosmético.
  • Um produto que é encontrado na natureza não é automaticamente seguro para o uso. A natureza não considera a irritação na pele ou nos olhos, enquanto um composto feito pelo homem considera.
  • Fabricantes de produtos de cuidados pessoais e cosméticos precisam garantir estabilidade desde a fabricação até a prateleira, enquanto a natureza não tem essa consideração.

Segurança do Conservante

Enquanto a função que os conservantes têm em proteger a saúde humana está clara, também é importante que os consumidores entendam o processo de revisão completo pelo qual esses materiais passam, para garantir que não colocam riscos aos indivíduos ou ao meio-ambiente. Os conservantes são submetidos a testes rigorosos antes de entrarem no mercado, incluindo uma ampla variedade de estudos toxicológicos para verificar se o contato com a pele ou a inalação do conservante não irá causar danos quando o conservante for utilizado diretamente. Mais especificamente, os fabricantes geralmente avaliam estas áreas principais:²

Absorção dérmicaVerifica se um conservante será absorvido pela pele e, se for, em qual quantidade
Risco de irritaçãoVerifica se o uso do conservante poderia causar irritação à pele ou às membranas mucosas.
Sensibilização da peleVerifica se o uso de um conservante poderia causar sensibilização nas concentrações de uso recomendadas.
Foto-toxicidade ou foto-sensibilizaçãoVerifica se um conservante causaria efeitos perigosos para a pele no caso de substâncias que absorvem luz ultravioleta.
Estudos de toxicidade da dose aguda e repetidaVerifica se um conservante seria danoso seguindo exposições únicas ou múltiplas
MutagenicidadeVerifica se um ingrediente tem a capacidade de causar danos à mutação de genes do DNA
Toxicocinética e metabolismoTaxa na qual um produto químico entra no corpo e o que acontece quando ele está dentro
Toxicidade do desenvolvimentoCapacidade de causar danos a um feto em gestação
Toxicidade reprodutivaProblemas associados com reprodução
CarcinogênesePotencial de um conservante de causar câncer


O número limitado de conservantes que são utilizados em produtos de cuidados pessoais foi amplamente estudado no laboratório e tem sido utilizado seguramente em produtos de cuidados pessoais há vários anos. É importante observar que enquanto algumas avaliações de segurança são feitas em conjunto com o uso de um formulador do conservante concentrado, avaliações de risco mais profundas e mais detalhistas são feitas com relação aos usos específicos dos conservantes em diferentes tipos de produtos de cuidados pessoais.

Além disso, fichas de dados de segurança são criadas e disponibilizadas para garantir que os conservantes sejam manuseados adequadamente e utilizados da forma apropriada pelas empresas que desenvolvem e fabricam os produtos de cuidados pessoais.

Regulamentos ao Redor do Mundo

Diversas organizações científicas e regulatórias também estão envolvidas com a avaliação da segurança de conservantes e estabelecimento de diretrizes para o uso adequado. A estrutura regulatória para a União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Japão cai dentro de duas definições primárias4:

  • Uma ampla definição de cosméticos com segurança focada nos controles por meio de listas (positivo, proibido e restrito) e exigências específicas sobre o teste de segurança.
  • Uma definição estreita de cosméticos com poucas restrições sobre os ingredientes e o tipo de teste de segurança

Enquanto a UE segue a definição ampla, os EUA seguem a definição estreita. As regulamentações do Japão e Canadá variam entre as duas definições. O Japão é mais propenso ao modelo da UE, mas tem uma categoria de produto adicional de quase-drogas que requer uma aprovação de pré-comercialização e registro de ingredientes. O Canadá tende mais para o modelo dos EUA, mas tem uma lista maior de ingredientes proibidos ou restritos.

Um Olhar Mais Atento nas Aprovações

As exigências regulatórias variam em cada mercado. Na União Europeia, por exemplo, ela pré-aprova conservantes com uma "lista positiva" chamada Anexo VI Lista de Conservantes que os Produtos Cosméticos Podem Conter. A fim de obter a lista do Anexo VI, um arquivo do produto deve ser encaminhado ao Comitê Científico sobre Produtos do Consumidor (SCCP, previamente conhecido como o Comitê Científico sobre Produtos Cosméticos e Produtos Não-Alimentícios Destinados à Consumidores), um comitê científico independente nomeado pela Comissão Europeia, para avaliar todos os produtos não alimentícios dos consumidores. O Comitê revisa os dados do teste e uma avaliação de risco sobre conservantes, conforme utilizados em produtos cosméticos e de cuidados pessoais e emite uma opinião formal em relação à segurança deles. Quando aplicável, essa opinião é utilizada como uma base para a alteração da legislação sobre cosméticos.

Como a União Europeia, o Japão trabalha em uma lista positiva, mas é mais restrito. Fabricantes de produtos químicos trabalham muito próximo ao governo japonês para avaliar a segurança química e é exigido deles que encaminhem informações da avaliação sob um sistema mandatório. O governo tem um forte papel no gerenciamento de risco e geralmente solicita informações de segurança de usuários posteriores sobre os ingredientes ativos dos produtos de cuidados pessoais.³

No Canadá, há uma lista de ingredientes cosméticos proibidos ou restritos. A Divisão de Cosméticos do Gabinete de Segurança dos Produtos ao Consumidor, parte do Departamento de Saúde do Canadá, é encarregada das atualizações da lista.

Os Estados Unidos também restringem ou proíbem conservantes (lista negativa) via FDA. Eles não aprovam conservantes. Adicionalmente, a Revisão de Ingredientes Cosméticos (CIR), um painel de especialistas independente, revisa e avalia a segurança dos conservantes.

Além desses mercados, as exigências regulatórias continuam a evoluir. Embora a UE seja conhecida como um líder global na regulamentação de conservantes, regulações igualmente limitadas continuam a surgir em outras partes do mundo, incluindo os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), China e Suíça.

  1. Steinberg, David C. Preservatives for Cosmetics. 2nd ed. Allured Publishing Corporation, 2006
  2. http://www.colipa.eu/safety-a-science-colipa-the-european-cosmetic-cosmetics-association/safety-in-cosmetics/the-general-approach-to-safety-assessment.html
  3. Banerjee, Sunanda. A Regulatory World Tour. ICIS. Recuperado de: http://www.icis.com/Articles/2010/05/31/9362538/reach-like-regulations-enacted-globally.html
  4. Comparative Study on Cosmetics Legislation in the EU and Other Principal Markets, Report Prepared by Risk & Policy Analysts for European Commission, DG Enterprise , August 2004